Li atentamente o artigo De Táscia de Souza na Tribuna de Minas, edição de Domingo, 22 de agosto de 2010. Nela, dois professores da UFJF analisam o quadro de desenvolvimento econômico da Zona da Mata e articulam possíveis causas para o atraso econômico em que nos encontramos, entre elas, denunciam eles, está a absoluta falta de sintonia entre as lideranças locais e regionais.
Segundo eles, a falta de planejamento conjunto de ações na região acabou dando ênfase ao voluntarismo, ou seja, à iniciativa individual de pessoas, lideranças e instituições que acabam gerando ações cujos resultados ou não são alcançados, ou então, ficam aquém das expectativas em relação aos mesmos.
Concordo com a análise, até porque, trata-se de estudo levado a efeito por pesquisadores da UFJF que, em tese, o fizeram com a isenção de ânimo que se espera de cientistas.
Como candidato a deputado estadual, advogado e professor atuante na região, eu gostaria, todavia, de tecer algumas rápidas considerações.
Em primeiro lugar, ainda que o desenvolvimento regional deva ser pensado em termos de região, é inegável que cidades como Juiz de Fora, Muriaé, Cataguases e Viçosa tornaram-se polo de atração microrregional e serão sempre centros de atração de investimentos, mão de obra, serviços e demanda por serviços públicos em geral.
Dessa forma, ainda que estejamos focados em desenvolvimento regional, não se pode desprezar o fato de que essas cidades precisam de atenção especial.
Outro aspecto enfatizado com o qual concordo plenamente é o fato de que projetos como o do Expominas foram realizados de forma isolada e acrescento que o foi, sem que o segmento empresarial que mais irá utilizá-lo, qual seja, o de produção de eventos, tenha sido sequer estimulado para que produza ou busque no mercado nacional e internacional eventos que possam ser ali realizados.
A estrutura foi criada, mas, não foram dados os estímulos para que a indústria de eventos se estabeleça na cidade.
Com o aeroporto regional, parece-me que a questão está mesmo mais ligada à falta de articulação e de interesse pessoal da maioria das lideranças políticas e empresariais.
É claro que não desejo generalizar, pois, como parceiro da Agência de Desenvolvimento de JF e região, sei o esforço que está sendo feito pela atual diretoria para fazer com o que o aeroporto passe a operar, mas, infelizmente, até o momento, isso não aconteceu.
Todavia, se eu tivesse que apontar um culpado para essa situação, se é que existe um único culpado por esse marasmo e essa falta de perspectiva econômica, eu diria que a nossa sociedade, ai incluídas as lideranças polítidas e, principalmente, elas, não dá o devido valor ao desenvolvimento econômico, menos ainda, ao desenvolvimento econômico sustentável.
A política de Juiz de Fora envelheceu e com ela foram-se os anos áureos da pujança econômica.
A administração pública municipal não tem como prioridade absoluta criar e manter mecanismos de geração de receitas tributárias e renda para a população, como forma de desencadear um ciclo virtuoso em que mais impostos são arrecadados e, portanto, mais dinheiro proveniente do pagamento de tributos fica à disposição para investir no bem estar social.
Os pequenos empresários sofrem com a burocracia da administração pública em todos os níveis. O Brasil em geral e Juiz de Fora em particular têm um forte preconceito contra o empreendedorismo, ainda que, vez por outra, alguém tente demonostrar o contrário.
Nossa sociedade não valoriza definitivamente aquele que se lança no mercado para produzir riqueza.
Tudo entre nós, gira em torno do Estado e nossa inabalável crença de que ele deve e pode prover tudo para a sociedade.
É bom lembrar que o tempo dos radicalismos já se foi e que planejar o tamanho do Estado é, na verdade, decidir sobre qual o tamanho da estrutura que a sociedade quer criar para o provimento dos serviços públicos de que ela necessita.
O fato é que as nossas velhas e carcomidas lideranças, que, aliás, em Juiz de Fora, nada mais fazem senão agir sempre de olho na transmissão do poder dentro da própria família ou entre os muito próximos, acostumou-se com esse baixo nível de cobrança por parte da sociedade.
Os cientistas políticos detestam essa frase, mas " a qualidade da liderança é reflexo da qualidade da própria sociedade".
Por fim, apesar de concordar em tese que o voluntarismo gera ações, o mais das vezes, erráticas, não há como negar que o voluntarismo e a ação individual têm sido,no momento, as únicas medidas práticas de estímulo ao desenvolvimento de nossa região. Aliás, os últimos grandes empreendimentos que a cidade viu foram fruto de iniciativas pessoais dessa ou daquela liderança.
Para mudar esse rumo, será necessário mudar a cultura e realocar nas mentes das pessoas o papel que o empreendedorismo deve ocupar como única forma de gerar riqueza econômica em uma sociedade capitalista.
Aliás, estamos caminhando para uma situação em que todos querem trabalhar para o Estado, por razões já muito conhecidas, como se isso fosse possível, como se houvesse jantar de graça.
Além disso, uma nova geração de líderes deve ser levada a assumir responsabilidades perante a sociedade.
Não é novidade para ninguém que as mudanças ocorridas nos últimos tempos vêm forçando a convivência democrática de contrários na busca do bem comum.
DUVIDO, é isso mesmo, duvido que, com as atuais lideranças de Juiz de Fora, todas elas preocupadas com o seu próprio umbigo, seja possível construir uma liderança regional compartilhada e sintonizada nas metas do desenvolvimento econômico sustentável que, como se sabe, deve incluir, também, o respeito à natureza.
Pelo sim, pelo não, ainda é melhor depender das iniciativas isoladas de algum herói da iniciativa privada ou mesmo de uma liderança política mais engajada no tema, do que ficar à beira da estrada esperando a ajuda da sorte.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
DIREITO À INFORMAÇÃO - LIMITES DA ÉTICA
Fui pego de surpresa pela notícia de que a rede Panorama veiculou ontem à noite um programa onde o convidado de honra foi o ex-prefeito Alberto Bejani. Digo que fiquei surpreso porque não entendi a real utilidade pública dessa iniciativa. A única coisa que me vem à mente, é a possibilidade de que a empresa tenha usado a polêmica em torno do citado cidadão para alavancar a opinião pública, estimular o debate, ou qualquer coisa que o valha.
Prefiro pensar assim, para não me aprofundar em outras possibilidades absurdas. O fato, porém, é que esse episódio demonstra claramente que não há limites à manipulação da opinião pública, nesse novo cenário tecnológico em que estamos vivendo.
As novas tecnologias,cada vez mais próximas de nós, permitirão um acesso mais democrático aos centros de decisão, mas, manipuladas por detrás das câmeras de televisão, poderão se tornar o epicentro de um controle social jamais imaginado. Quem diria que George Orwell ( na obra, 1984 - o criador do termo big brother )atiraria no que via naquela época e que acertaria no desconhecido e inimaginável mundo das comunicações que hoje se descortina à nossa frente.
Nós, a sociedade, precisamos estar atentos a isso. É a nossa liberdade de opinião que está em debate e o futuro da democracia que está em jogo.
Prefiro pensar assim, para não me aprofundar em outras possibilidades absurdas. O fato, porém, é que esse episódio demonstra claramente que não há limites à manipulação da opinião pública, nesse novo cenário tecnológico em que estamos vivendo.
As novas tecnologias,cada vez mais próximas de nós, permitirão um acesso mais democrático aos centros de decisão, mas, manipuladas por detrás das câmeras de televisão, poderão se tornar o epicentro de um controle social jamais imaginado. Quem diria que George Orwell ( na obra, 1984 - o criador do termo big brother )atiraria no que via naquela época e que acertaria no desconhecido e inimaginável mundo das comunicações que hoje se descortina à nossa frente.
Nós, a sociedade, precisamos estar atentos a isso. É a nossa liberdade de opinião que está em debate e o futuro da democracia que está em jogo.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
FOI DADA A LARGADA
A propósito da corrida de fórmula 1, no dia de ontem, a campanha eleitoral, embora não pareça, já começou.
Por enquanto, estou extremamente ocupado em preparar a infraestrutura exigida pela legislação eleitoral para captar recursos eleitorais, imprimir material de campanha, fazer os primeiros contatos, etc.
Parece difícil à primeira vista e quando se entra em campanha, percebe-se que é difícil mesmo.
As reações das pessoas são as mais diversas; há os o que não acreditam em ninguém, são céticos a respeito da política, há que te apoiam de imediato, sem interesse algum, senão o de contribuir com a candidatura, há os que te pedem alguma coisa, também, de imediato, há os que criticam, há de tudo um pouco.
As emoções variam ao sabor das intervenções e dos contatos que faço com pessoas conhecidas e desconhecidas.
Sinto vergonha de ver o descaramento de certo tipo de eleitor que perdeu completamente a decência e se igualou ao que há de pior Na política. E se você tentar argumentar com ele sobre a ilegalidade e a imoralidade de certos favores, você ainda acaba sendo ofendido e igualado à escória da política.
É um círculo vicioso onde o eleitor deseducado é corrompido e, em muitos casos, oferece-se à corrupção.
É, essa promete ser uma grande experiência de vida.
Temos que ocupar os espaços da política para mudar essa forma viciada de conduzir a relação do eleitor com seus representantes.
VAMOS EM FRENTE.
Por enquanto, estou extremamente ocupado em preparar a infraestrutura exigida pela legislação eleitoral para captar recursos eleitorais, imprimir material de campanha, fazer os primeiros contatos, etc.
Parece difícil à primeira vista e quando se entra em campanha, percebe-se que é difícil mesmo.
As reações das pessoas são as mais diversas; há os o que não acreditam em ninguém, são céticos a respeito da política, há que te apoiam de imediato, sem interesse algum, senão o de contribuir com a candidatura, há os que te pedem alguma coisa, também, de imediato, há os que criticam, há de tudo um pouco.
As emoções variam ao sabor das intervenções e dos contatos que faço com pessoas conhecidas e desconhecidas.
Sinto vergonha de ver o descaramento de certo tipo de eleitor que perdeu completamente a decência e se igualou ao que há de pior Na política. E se você tentar argumentar com ele sobre a ilegalidade e a imoralidade de certos favores, você ainda acaba sendo ofendido e igualado à escória da política.
É um círculo vicioso onde o eleitor deseducado é corrompido e, em muitos casos, oferece-se à corrupção.
É, essa promete ser uma grande experiência de vida.
Temos que ocupar os espaços da política para mudar essa forma viciada de conduzir a relação do eleitor com seus representantes.
VAMOS EM FRENTE.
terça-feira, 13 de julho de 2010
DESAFIOS DE UM MANDATO DE DEPUTADO ESTADUAL
Acredito que o mais difícil para quem pretenda atuar como deputado estadual na atual situação política do nosso Estado, seja conciliar o verdadeiro papel de um membro do parlamento estadual com a tradição de clientelismo que se assenhoreou do cotidiano das Assembleias Estaduais.
O Deputado estadual deve representar, em um primeiro momento, todo o povo do estado de Minas, mas, Minas, como se sabe, são muitas Minas, e os interesses de cada uma das regiões divergem sobremaneira.
O fato é que o voto distrital seria fundamental para dar legitimidade ao poder popular.
No cenário atual, o deputado eleito pode ser votado em todo o Estado, mas, provavelmente, não terá condições de atender aos reclamos de todas as regiões.
A segmentação geográfica da atuação parlamentar é um fato que não encontra correspondência na legislação, que permite que o deputado "pesque" seus votos desde o Jequitinhonha até o Triângulo Mineiro.
Na Assembleia, cercado por essa realidade, a tendência da maioria, é servir de intermediário para todo tipo de interesse, não necessariamente sintonizados com o interesse público, tornando a troca de favores e o clientelismo, uma "necessidade de sobrevivência".
Outro aspecto que merece ser ressaltado é o fato de que, tendo inúmeras competências previstas na Constituição Estadual, o trabalho na Assembleia exigiria do parlamentar eleito capacidade intelectual bem acima da média do que atualmente lá se verifica.
Ademais, sem ter a coragem e, muitas vezes, a condição intelectual de especializar-se em determinados temas, grande parte dos deputados, ou segue o que lhes sopra aos ouvidos os assessores, ou, simplesmente, torna-se parte da "manada", seguindo as orientações dos líderes de bancada.
Minha proposta de atuação envolve uma delimitação geográfica e temática, o que não me impedirá de atuar especificamente em situações que envolvam outras regiões do Estado, nem, muito menos, naquelas que envolvam os interesses da sociedade mineira, vista como um todo.
Pretendo atuar prioritariamente nas regiões da Mata, sul de Minas, Vertentes e região central, agindo de modo a possibilitar o predomínio dos interesses coletivos dessas regiões, produzindo leis e apoiando políticas públicas que possam melhorar as condições, principalmente, de educação e de desenvolvimento sustentável.
Minha atuação temática, como se vê, será pautada nas questões atinentes à educação e ao desenvolvimento econômico sustentável.
Como professor e entusiasta da educação pretendo valorizar as ações que busquem a promoção desse profissional, todavia, serei, também, rigoroso na exigência do cumprimento de metas perante a sociedade.
É preciso não perder de vista que todos nós servimos à sociedade e devemos prestar contas a ela de nossos atos, demonstrando-lhe o resultado de nosso trabalho.
No que se refere ao desenvolvimento econômico sustentável, ou seja, aquele que é levado a efeito com respeito ao meio ambiente, tenho que é fundamental que a sociedade brasileira seja conscientizada da necessidade de produzir mais e melhores líderes empresariais, empreendedores e profissionais técnicos com capacidade de gerar e manter negócios, de cuja existência, depende a sobrevivência de toda a sociedade, através dos tributos recolhidos ao Estado.
Por ora, é isso.
O Deputado estadual deve representar, em um primeiro momento, todo o povo do estado de Minas, mas, Minas, como se sabe, são muitas Minas, e os interesses de cada uma das regiões divergem sobremaneira.
O fato é que o voto distrital seria fundamental para dar legitimidade ao poder popular.
No cenário atual, o deputado eleito pode ser votado em todo o Estado, mas, provavelmente, não terá condições de atender aos reclamos de todas as regiões.
A segmentação geográfica da atuação parlamentar é um fato que não encontra correspondência na legislação, que permite que o deputado "pesque" seus votos desde o Jequitinhonha até o Triângulo Mineiro.
Na Assembleia, cercado por essa realidade, a tendência da maioria, é servir de intermediário para todo tipo de interesse, não necessariamente sintonizados com o interesse público, tornando a troca de favores e o clientelismo, uma "necessidade de sobrevivência".
Outro aspecto que merece ser ressaltado é o fato de que, tendo inúmeras competências previstas na Constituição Estadual, o trabalho na Assembleia exigiria do parlamentar eleito capacidade intelectual bem acima da média do que atualmente lá se verifica.
Ademais, sem ter a coragem e, muitas vezes, a condição intelectual de especializar-se em determinados temas, grande parte dos deputados, ou segue o que lhes sopra aos ouvidos os assessores, ou, simplesmente, torna-se parte da "manada", seguindo as orientações dos líderes de bancada.
Minha proposta de atuação envolve uma delimitação geográfica e temática, o que não me impedirá de atuar especificamente em situações que envolvam outras regiões do Estado, nem, muito menos, naquelas que envolvam os interesses da sociedade mineira, vista como um todo.
Pretendo atuar prioritariamente nas regiões da Mata, sul de Minas, Vertentes e região central, agindo de modo a possibilitar o predomínio dos interesses coletivos dessas regiões, produzindo leis e apoiando políticas públicas que possam melhorar as condições, principalmente, de educação e de desenvolvimento sustentável.
Minha atuação temática, como se vê, será pautada nas questões atinentes à educação e ao desenvolvimento econômico sustentável.
Como professor e entusiasta da educação pretendo valorizar as ações que busquem a promoção desse profissional, todavia, serei, também, rigoroso na exigência do cumprimento de metas perante a sociedade.
É preciso não perder de vista que todos nós servimos à sociedade e devemos prestar contas a ela de nossos atos, demonstrando-lhe o resultado de nosso trabalho.
No que se refere ao desenvolvimento econômico sustentável, ou seja, aquele que é levado a efeito com respeito ao meio ambiente, tenho que é fundamental que a sociedade brasileira seja conscientizada da necessidade de produzir mais e melhores líderes empresariais, empreendedores e profissionais técnicos com capacidade de gerar e manter negócios, de cuja existência, depende a sobrevivência de toda a sociedade, através dos tributos recolhidos ao Estado.
Por ora, é isso.
terça-feira, 6 de abril de 2010
COERÊNCIA DO INÍCIO AO FIM
A campanha eleitoral que se aproxima será mais uma daquelas em que o discurso dos candidatos em geral não guardará sintonia com a realidade dos fatos.
Quem conhece a política sabe que, por debaixo dos panos, das faixas e dos comitês de campanha, trava-se uma verdadeira "guerra suja" que inclui o agora famoso, mas antigo conhecido "caixa 2", a compra de votos e a famigerada boca de urna.
Poucas pessoas têm conhecimento disso, mas, muitos candidatos concentram a maior parte de seus recursos no dia exato da eleição e, nesse dia, esse dinheiro é despejado de uma única vez sobre o eleitorado mais pobre e, portanto, mais suscetível de "vender" a consciência do voto.
A conta é simples, embora pareça absurda para quem não conhece o jogo político. Quem precisa de 1.000 votos, paga por 10.000 votos.
Isso significa que o candidato sabe que o índice de "traição" do eleitor é alto e que muitos recursos serão desperdiçados sem esperança de retorno.
E pensar que há eleitores que se vangloriam de dizer que receberam dinheiro de dois ou três candidatos ao mesmo tempo, no dia da eleição.Tolos, pobres coitados, aqueles que pensam que estão enganando o candidato.
Eles e os demais que votaram no candidato cumprindo o compromisso ilícito, com a ilusão ética que estão sendo justos com quem lhes pagou, estão todos incluídos no rol daqueles que serão os maiores prejudicados pelo candidato, caso ele venha a ser eleito.
Por essa razão, penso que o eleitor deve cobrar do seu candidato a devida coerência, já desde a campanha eleitoral.
Questões como a origem dos recursos empregados e o compromisso público de não realização de boca de urna no dia da eleição devem fazer parte dos discursos e das práticas eleitorais dos candidatos.
O eleitor deve exigir isso do seu candidato, afinal, é incoerente manter postura supostamente ética de quem promete agir em conformidade com a lei,se eleito, enquanto, já na campanha eleitoral, age de forma exatamente igual àqueles que critica e que pretende, pelo voto do eleitor, substituir.
Quem conhece a política sabe que, por debaixo dos panos, das faixas e dos comitês de campanha, trava-se uma verdadeira "guerra suja" que inclui o agora famoso, mas antigo conhecido "caixa 2", a compra de votos e a famigerada boca de urna.
Poucas pessoas têm conhecimento disso, mas, muitos candidatos concentram a maior parte de seus recursos no dia exato da eleição e, nesse dia, esse dinheiro é despejado de uma única vez sobre o eleitorado mais pobre e, portanto, mais suscetível de "vender" a consciência do voto.
A conta é simples, embora pareça absurda para quem não conhece o jogo político. Quem precisa de 1.000 votos, paga por 10.000 votos.
Isso significa que o candidato sabe que o índice de "traição" do eleitor é alto e que muitos recursos serão desperdiçados sem esperança de retorno.
E pensar que há eleitores que se vangloriam de dizer que receberam dinheiro de dois ou três candidatos ao mesmo tempo, no dia da eleição.Tolos, pobres coitados, aqueles que pensam que estão enganando o candidato.
Eles e os demais que votaram no candidato cumprindo o compromisso ilícito, com a ilusão ética que estão sendo justos com quem lhes pagou, estão todos incluídos no rol daqueles que serão os maiores prejudicados pelo candidato, caso ele venha a ser eleito.
Por essa razão, penso que o eleitor deve cobrar do seu candidato a devida coerência, já desde a campanha eleitoral.
Questões como a origem dos recursos empregados e o compromisso público de não realização de boca de urna no dia da eleição devem fazer parte dos discursos e das práticas eleitorais dos candidatos.
O eleitor deve exigir isso do seu candidato, afinal, é incoerente manter postura supostamente ética de quem promete agir em conformidade com a lei,se eleito, enquanto, já na campanha eleitoral, age de forma exatamente igual àqueles que critica e que pretende, pelo voto do eleitor, substituir.
terça-feira, 16 de março de 2010
OS DESAFIOS QUE ME ESPERAM EM 2010
A Tribuna de Minas, jornal local de Juiz de Fora, noticiou na edição do último domingo, dia 14 de março de 2010, a lista do prováveis candidatos regionais às próximas eleições.
Entre surpreso e feliz, vi meu nome aparecer entre outros prováveis candidatos ao pleito de outubro próximo, quase todos eles, atores políticos com larga experiência, sendo que alguns, já possuem projeção nacional.
A sensação que me invade é estranha, pois, ver-me incluído em um rol em que constam nomes de líderes que, ao longo do tempo, não têm correspondido ao comportamento ético que se espera de alguém nessa posição, faz-me ter vergonha dessa vocação que herdei nem sei de quem, pois, minha família nunca se envolveu com a política.
Por outro lado, reconheço naquela lista o nome de pessoas honradas e que vêm ao longo tempo comportando-se com rigor ético e espírito público. Bem, é nessas que me espelho e que me inspiro.
Rejeito e refuto as posições radicais daqueles que consideram que na política todos são iguais.
Não. Assim como na sociedade, na atividade política estão representados todos os segmentos e todos os valores que permeiam nossa cultura.
Se algo nos desagrada na conduta da classe política, devemos trabalhar para aumentar o nível crítico daqueles que detém o poder do voto para que novas lideranças sejam forjadas no seio social.
Não é com o desestímulo que se pratica contra os bons, que iremos combater os maus.
Ao longo da minha vida, sempre ouvi desestímulos à vocação que demonstrei desde criança. E apesar disso, ainda estou aqui, acreditando que é possível mudar a sociedade, o país e o mundo para melhor.
Ninguém me disse que seria fácil, mas todo mundo sabe que é possível, basta ter coragem para lutar pelos ideais. A própria realidade brasileira dos últimos anos ( após a CF/88 ) mostra isso. O país mudou para melhor, apesar dos erros e acertos de cada um dos governos que vêm se sucedendo democraticamente no poder.
A coragem, nesse caso, deve ser traduzida pela atuação política firme.
Enquanto aqueles que se julgam bons e honestos permanecerem no silêncio, os maus hão de imperar aboslutos.
O desafio está lançado e, de fato, não sei no que vai dar.
Haja o que houver, espero manter-me no caminho da integridade, que sempre me esforcei para trilhar e contarei com os meus amigos e com aqueles que me confiarem o voto para nele permanecer.
As melhores ajudas que alguém pode me dar são a crítica e o elogio, pois, a primeira balizará o meu comportamento e o segundo, manterá meu estímulo nos momentos difíceis que estão por vir.
Entre surpreso e feliz, vi meu nome aparecer entre outros prováveis candidatos ao pleito de outubro próximo, quase todos eles, atores políticos com larga experiência, sendo que alguns, já possuem projeção nacional.
A sensação que me invade é estranha, pois, ver-me incluído em um rol em que constam nomes de líderes que, ao longo do tempo, não têm correspondido ao comportamento ético que se espera de alguém nessa posição, faz-me ter vergonha dessa vocação que herdei nem sei de quem, pois, minha família nunca se envolveu com a política.
Por outro lado, reconheço naquela lista o nome de pessoas honradas e que vêm ao longo tempo comportando-se com rigor ético e espírito público. Bem, é nessas que me espelho e que me inspiro.
Rejeito e refuto as posições radicais daqueles que consideram que na política todos são iguais.
Não. Assim como na sociedade, na atividade política estão representados todos os segmentos e todos os valores que permeiam nossa cultura.
Se algo nos desagrada na conduta da classe política, devemos trabalhar para aumentar o nível crítico daqueles que detém o poder do voto para que novas lideranças sejam forjadas no seio social.
Não é com o desestímulo que se pratica contra os bons, que iremos combater os maus.
Ao longo da minha vida, sempre ouvi desestímulos à vocação que demonstrei desde criança. E apesar disso, ainda estou aqui, acreditando que é possível mudar a sociedade, o país e o mundo para melhor.
Ninguém me disse que seria fácil, mas todo mundo sabe que é possível, basta ter coragem para lutar pelos ideais. A própria realidade brasileira dos últimos anos ( após a CF/88 ) mostra isso. O país mudou para melhor, apesar dos erros e acertos de cada um dos governos que vêm se sucedendo democraticamente no poder.
A coragem, nesse caso, deve ser traduzida pela atuação política firme.
Enquanto aqueles que se julgam bons e honestos permanecerem no silêncio, os maus hão de imperar aboslutos.
O desafio está lançado e, de fato, não sei no que vai dar.
Haja o que houver, espero manter-me no caminho da integridade, que sempre me esforcei para trilhar e contarei com os meus amigos e com aqueles que me confiarem o voto para nele permanecer.
As melhores ajudas que alguém pode me dar são a crítica e o elogio, pois, a primeira balizará o meu comportamento e o segundo, manterá meu estímulo nos momentos difíceis que estão por vir.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
ANO NOVO, VIDA NOVA!!!!
A frase é antiga e muito utilizada, mas, a cada ano, renovam-se mesmo as esperanças.
É por isso que esse ditado nunca perde a atualidade. Isso se deve, a meu ver, à incrível capacidade do ser humano de se renovar, de continuar a viver, apesar das dificuldades do ano anterior.
Nesse sentido, a marcação do tempo histórico, do tempo medido pelos ponteiros do relógio, só serve mesmo para demarcar o momento da mudança de estado mental.
O que ficou para trás faz parte do passado, das memórias, boas ou más e, apesar de tempo vivido, não deve mais influenciar as decisões do novo tempo que surge.
Em 2010, buscarei, mais do que nunca, realizar alguns objetivos ambiciosos na vida profissional e na vida pessoal, mas, espero, também, e, principalmente, tornar-me um ser humano melhor para a família, para os amigos e para a sociedade.
Ano novo, vida nova!!!!!!!!!!!!
Francisco Belgo
É por isso que esse ditado nunca perde a atualidade. Isso se deve, a meu ver, à incrível capacidade do ser humano de se renovar, de continuar a viver, apesar das dificuldades do ano anterior.
Nesse sentido, a marcação do tempo histórico, do tempo medido pelos ponteiros do relógio, só serve mesmo para demarcar o momento da mudança de estado mental.
O que ficou para trás faz parte do passado, das memórias, boas ou más e, apesar de tempo vivido, não deve mais influenciar as decisões do novo tempo que surge.
Em 2010, buscarei, mais do que nunca, realizar alguns objetivos ambiciosos na vida profissional e na vida pessoal, mas, espero, também, e, principalmente, tornar-me um ser humano melhor para a família, para os amigos e para a sociedade.
Ano novo, vida nova!!!!!!!!!!!!
Francisco Belgo
DIA DO ADVOGADO - FALANDO COM SINCERIDADE
Hoje é dia do advogado. Passados 19 anos desde o o dia em que tomei a decisão de seguir a carreira de advogado, muita coisa mudou em minha vida, em minha carreira e na própria visão que eu tenho da profissão que escolhi para exercer ao longo da minha vida.
Em primeiro lugar, quando iniciei a carreira, eu julgava que, provavelmente, eu seria advogado pelo resto de minha vida e hoje não tenho mais certeza se quero realmente exercer a profissão até morrer.
Tenho a impressão de que isso, também, ocorre com outros profissionais após um certo tempo de formado e, nesse aspecto, acho que a advocacia acabou se mostrando uma boa opção, já que nada me impede de continuar a exercê-la ou deixá-la, algo que muito poucos profissionais em outras áreas de atuação podem se dar ao luxo de fazer.
A advocacia proporcionou-me, ao longo desse tempo, realizar todos os meus objetivos pessoais, familiares e patrimoniais e, também, nesse sentido, devo muito a essa profissão.
A advocacia proporcionou-me, ainda, respeito social e intelectual e, também, nesse aspecto sinto-me realizado.
Mas o que é, então, que me impele em direçao à mudança e que me faz sentir uma certa frustração em relação à profissão.
Em primeiro lugar, acho que isso acontece porque a advocacia, como algumas outras poucas profissões, exige uma vocação verdadeira e profunda para o seu desempenho, muito menos, por suas vantagens, mas, pelas inúmeras exigências e desgastes que a profissão reserva aos seus praticantes.
A começar pela capacidade de se indignar. Poucos cidadãos são tão exigidos quanto os advogados nesse aspecto. A sociedade exige do advogado e, o mais das vezes, ele próprio exige de si, uma postura sempre vigilante e proativa em relação à obediência aos direitos inerentes à cidadania.
Essa postura cansa e desgasta muito o advogado e não por outra razão, veem-se tantos profissionais levados ao extremo da atuação profissional, em função da reparação de situações consideradas injustas.
Por outro lado, o advogado é o operador do Direito colocado exatamente entre a a sociedade, a quem serve individual ou coletivamente, e o Estado, através do Poder Judiciário, perante quem reivindica os interesses que representa.
A sociedade moderna e democrática não pode prescindir da presença do advogado, mas não me parece respeitá-lo e admirá-lo na medida de seu sacrifício por ela e, nesse sentido, tenho sempre dito que desafio qualquer outra corporação profissional a investir em tempo e dinheiro o que a Ordem dos Advogados do Brasil investe na defesa de interesses primordialmente coletivos .
Nesse sentido, já aviso de antemão, que isso não quer dizer que ela não proteja os interesses específicos dos advogados, o que afirmo é que, comparativamente, nenhuma outra corporação usa tanto de seu tempo e de seus recursos na defesa de interesses da sociedade como um todo, às vezes em prejuízo do interesse específico do advogado.
Quem não concordar com essa tese, basta analisar a história política recente do Brasil e apontar onde estavam os membros de outras tantas profissões e cargos de poder no país, durante o período militar.
A análise dos indicadores de aceitação social do advogado demonstra que o advogado está entre os profissionais menos admirados podendo-se dizer até que esse profissional é odiado por parte significativa da sociedade.
Reconheço que uma parte dos profissionais contribui, infelizmente, muito para que essa situação tenha se consolidado no inconsciente coletivo, mas não posso dizer que me sinto feliz em ser comparado com qualquer tipo de profissional desajustado moralmente.
Por fim, sou obrigado a admitir que sinto uma profunda frustração em relação ao Poder Judiciário, para mim, o Poder que, em nosso país, menos representa e menos se preocupa verdadeiramente com o povo.
Pior do que isso, eu ficaria um pouco mais aliviado se os próprios membros desse Poder fossem compelidos a explicar eles próprios ao povo as razões absurdas para a demora nos processos, as manobras "interna corporis"( com a participação de colegas advogados, é claro), a falta de transparência administrativa, a falta de controle sobre horário de trabalho e desempenho de magistrados, a falta de transparência quanto a punições de magistrados ( a punição costuma ser a aposentadoria, ou seja, a punição é um presente ).
Mais do que isso, guardadas as exceções, há um desrespeito considerável à pessoa do advogado que vai desde o controle autoritário das audiências com o cerceamento da produção de provas até o aviltamento insidioso dos honorários de sucumbência.
A impressão que tenho é que vai longe, muito longe, volto a dizer, guardadas as proporções e as honrosas exceções, a tão propalada urbanidade entre o Judiciário e a classe dos advogados.
O advogado incomoda o Judiciário porque o retira de sua zona de conforto paquidérmica.
O Judiciário é o Poder do Estado por excelência, pois que a aura de sua respeitabilidade é necessária à própria existência do Estado de Direito.
O Judiciário atual tornou-se um poder privilegiado com recursos constitucionais permitem remunerar seus membros muito acima da média dos outros poderes, sem que com isso, possa se dizer, que preste um serviço à sociedade coerente com a despesa necessária à sua manutenção.
Quem não concordar com essa tese, pode se permitir comparar as médias salariais entre servidores e membros de poder , além, é claro de comparar a suntuosidade dos palácios com a precariedade dos hospitais públicos, por exemplo.
Todo esse contexto me levar a refletir sinceramente sobre o meu futuro na profissão. É esperar para ver.
Postado em 11 de Agosto de 2009
Francisco Belgo
Em primeiro lugar, quando iniciei a carreira, eu julgava que, provavelmente, eu seria advogado pelo resto de minha vida e hoje não tenho mais certeza se quero realmente exercer a profissão até morrer.
Tenho a impressão de que isso, também, ocorre com outros profissionais após um certo tempo de formado e, nesse aspecto, acho que a advocacia acabou se mostrando uma boa opção, já que nada me impede de continuar a exercê-la ou deixá-la, algo que muito poucos profissionais em outras áreas de atuação podem se dar ao luxo de fazer.
A advocacia proporcionou-me, ao longo desse tempo, realizar todos os meus objetivos pessoais, familiares e patrimoniais e, também, nesse sentido, devo muito a essa profissão.
A advocacia proporcionou-me, ainda, respeito social e intelectual e, também, nesse aspecto sinto-me realizado.
Mas o que é, então, que me impele em direçao à mudança e que me faz sentir uma certa frustração em relação à profissão.
Em primeiro lugar, acho que isso acontece porque a advocacia, como algumas outras poucas profissões, exige uma vocação verdadeira e profunda para o seu desempenho, muito menos, por suas vantagens, mas, pelas inúmeras exigências e desgastes que a profissão reserva aos seus praticantes.
A começar pela capacidade de se indignar. Poucos cidadãos são tão exigidos quanto os advogados nesse aspecto. A sociedade exige do advogado e, o mais das vezes, ele próprio exige de si, uma postura sempre vigilante e proativa em relação à obediência aos direitos inerentes à cidadania.
Essa postura cansa e desgasta muito o advogado e não por outra razão, veem-se tantos profissionais levados ao extremo da atuação profissional, em função da reparação de situações consideradas injustas.
Por outro lado, o advogado é o operador do Direito colocado exatamente entre a a sociedade, a quem serve individual ou coletivamente, e o Estado, através do Poder Judiciário, perante quem reivindica os interesses que representa.
A sociedade moderna e democrática não pode prescindir da presença do advogado, mas não me parece respeitá-lo e admirá-lo na medida de seu sacrifício por ela e, nesse sentido, tenho sempre dito que desafio qualquer outra corporação profissional a investir em tempo e dinheiro o que a Ordem dos Advogados do Brasil investe na defesa de interesses primordialmente coletivos .
Nesse sentido, já aviso de antemão, que isso não quer dizer que ela não proteja os interesses específicos dos advogados, o que afirmo é que, comparativamente, nenhuma outra corporação usa tanto de seu tempo e de seus recursos na defesa de interesses da sociedade como um todo, às vezes em prejuízo do interesse específico do advogado.
Quem não concordar com essa tese, basta analisar a história política recente do Brasil e apontar onde estavam os membros de outras tantas profissões e cargos de poder no país, durante o período militar.
A análise dos indicadores de aceitação social do advogado demonstra que o advogado está entre os profissionais menos admirados podendo-se dizer até que esse profissional é odiado por parte significativa da sociedade.
Reconheço que uma parte dos profissionais contribui, infelizmente, muito para que essa situação tenha se consolidado no inconsciente coletivo, mas não posso dizer que me sinto feliz em ser comparado com qualquer tipo de profissional desajustado moralmente.
Por fim, sou obrigado a admitir que sinto uma profunda frustração em relação ao Poder Judiciário, para mim, o Poder que, em nosso país, menos representa e menos se preocupa verdadeiramente com o povo.
Pior do que isso, eu ficaria um pouco mais aliviado se os próprios membros desse Poder fossem compelidos a explicar eles próprios ao povo as razões absurdas para a demora nos processos, as manobras "interna corporis"( com a participação de colegas advogados, é claro), a falta de transparência administrativa, a falta de controle sobre horário de trabalho e desempenho de magistrados, a falta de transparência quanto a punições de magistrados ( a punição costuma ser a aposentadoria, ou seja, a punição é um presente ).
Mais do que isso, guardadas as exceções, há um desrespeito considerável à pessoa do advogado que vai desde o controle autoritário das audiências com o cerceamento da produção de provas até o aviltamento insidioso dos honorários de sucumbência.
A impressão que tenho é que vai longe, muito longe, volto a dizer, guardadas as proporções e as honrosas exceções, a tão propalada urbanidade entre o Judiciário e a classe dos advogados.
O advogado incomoda o Judiciário porque o retira de sua zona de conforto paquidérmica.
O Judiciário é o Poder do Estado por excelência, pois que a aura de sua respeitabilidade é necessária à própria existência do Estado de Direito.
O Judiciário atual tornou-se um poder privilegiado com recursos constitucionais permitem remunerar seus membros muito acima da média dos outros poderes, sem que com isso, possa se dizer, que preste um serviço à sociedade coerente com a despesa necessária à sua manutenção.
Quem não concordar com essa tese, pode se permitir comparar as médias salariais entre servidores e membros de poder , além, é claro de comparar a suntuosidade dos palácios com a precariedade dos hospitais públicos, por exemplo.
Todo esse contexto me levar a refletir sinceramente sobre o meu futuro na profissão. É esperar para ver.
Postado em 11 de Agosto de 2009
Francisco Belgo
A POLÊMICA SOBRE O DESTINO DA AMAC EM JUIZ DE FORA
A recente polêmica em torno da situação da AMAC é mais umas das hipocrisias com as quais temos que conviver em Juiz de Fora.
A intenção que moveu a sua criação pode até ter sido nobre, no sentido de tentar livrar a assistência social das amarras da burocracia municipal, já o resultado de sua ação ao longo do tempo, deixa dúvidas sérias quanto à seriedade de muitas das ações sociais empreendidas ao longo do tempo.
É preciso deixar claro que não estou querendo com isso desmerecer a grande maioria dos excelentes programas que ali são desenvolvidos, nem, muito menos, a grande maioria dos técnicos que ali se encontra prestando excelente serviço profissional à nossa comunidade.
Refiro-me, mais especificamente, à deplorável utilização da Associação ao longo tempo como cabide de emprego para as mais bizarras figuras políticas, bem como, para todo tipo de gente despreparada para atuar profissionalmente no serviço público, com o único fim de manipular pessoas e recursos com fins eleitoreiros.
Isso sem contar com a enormidade de programas e projetos mal executados ao longo tempo, gerando desvios e escândalos que a imprensa já noticiou em diversas ocasiões.
Pois bem, até que enfim, o Ministério Público resolveu agir.
A situação em que a AMAC se encontra atualmente é, portanto, fruto da omissão de toda a nossa sociedade, inclusive e, principalmente, dos poderes constituídos.
Mas, e a solução ? Perguntar-me-ia o leitor. Bem, de todas as propostas aventadas até o momento, a que me parece mais razoável é aquela apresentada pelo denominado grupo cidadania, já que garante a continuidade da prestação de serviços sociais e um tempo de adaptação da realidade atual às exigências da lei.
Pelo que sei, ela tem origem na Câmara Municipal e a ela acrescento algumas sugestões:
- Demissão imediata de todos os ocupantes de cargos que tenham tomado posse a partir de 01/01/2009;
- Transformação imediata da natureza jurídica da Associação em Fundação Pública, com a criação de todos os cargos necessários ao seu funcionamento.
- Aprovação de um cronograma de substituição paulatina de todos os atuais ocupantes dos cargos por indivíduos selecionados em concurso público.
- Garantia de pagamento integral, se for o caso, com previsão orçamentária própria, das verbas trabalhistas daqueles que forem demitidos e substituídos.
- Deve ser estudada a possibilidade jurídica de atribuição de peso extra à participação dos funcionários da Amac que se submeterem a concurso para provimento dos seus atuais cargos ( confronto entre o princípio da isonomia formal X princípio da moralidade - arts. 5º e 37 da CF ).
Acrescento que, paralelamente, à formulação da estrutura da Associação seja revisto e adequado o seu quadro de pessoal à sua real necessidade e utilidade, para mais ou para menos.
Por fim, lamento muito pelos profissionais excelentes e que hoje atuam na Associação e que podem vir a não ter sucesso nos concursos públicos, pois, acima de nós está a lei e a CF é clara ao afirmar que a forma clássica de ingresso no serviço público é o concurso público e, ainda que nenhum deles tenha contribuído para tanto, todos eles encontram-se em situação irregular perante a CF.
Francisco Belgo
A intenção que moveu a sua criação pode até ter sido nobre, no sentido de tentar livrar a assistência social das amarras da burocracia municipal, já o resultado de sua ação ao longo do tempo, deixa dúvidas sérias quanto à seriedade de muitas das ações sociais empreendidas ao longo do tempo.
É preciso deixar claro que não estou querendo com isso desmerecer a grande maioria dos excelentes programas que ali são desenvolvidos, nem, muito menos, a grande maioria dos técnicos que ali se encontra prestando excelente serviço profissional à nossa comunidade.
Refiro-me, mais especificamente, à deplorável utilização da Associação ao longo tempo como cabide de emprego para as mais bizarras figuras políticas, bem como, para todo tipo de gente despreparada para atuar profissionalmente no serviço público, com o único fim de manipular pessoas e recursos com fins eleitoreiros.
Isso sem contar com a enormidade de programas e projetos mal executados ao longo tempo, gerando desvios e escândalos que a imprensa já noticiou em diversas ocasiões.
Pois bem, até que enfim, o Ministério Público resolveu agir.
A situação em que a AMAC se encontra atualmente é, portanto, fruto da omissão de toda a nossa sociedade, inclusive e, principalmente, dos poderes constituídos.
Mas, e a solução ? Perguntar-me-ia o leitor. Bem, de todas as propostas aventadas até o momento, a que me parece mais razoável é aquela apresentada pelo denominado grupo cidadania, já que garante a continuidade da prestação de serviços sociais e um tempo de adaptação da realidade atual às exigências da lei.
Pelo que sei, ela tem origem na Câmara Municipal e a ela acrescento algumas sugestões:
- Demissão imediata de todos os ocupantes de cargos que tenham tomado posse a partir de 01/01/2009;
- Transformação imediata da natureza jurídica da Associação em Fundação Pública, com a criação de todos os cargos necessários ao seu funcionamento.
- Aprovação de um cronograma de substituição paulatina de todos os atuais ocupantes dos cargos por indivíduos selecionados em concurso público.
- Garantia de pagamento integral, se for o caso, com previsão orçamentária própria, das verbas trabalhistas daqueles que forem demitidos e substituídos.
- Deve ser estudada a possibilidade jurídica de atribuição de peso extra à participação dos funcionários da Amac que se submeterem a concurso para provimento dos seus atuais cargos ( confronto entre o princípio da isonomia formal X princípio da moralidade - arts. 5º e 37 da CF ).
Acrescento que, paralelamente, à formulação da estrutura da Associação seja revisto e adequado o seu quadro de pessoal à sua real necessidade e utilidade, para mais ou para menos.
Por fim, lamento muito pelos profissionais excelentes e que hoje atuam na Associação e que podem vir a não ter sucesso nos concursos públicos, pois, acima de nós está a lei e a CF é clara ao afirmar que a forma clássica de ingresso no serviço público é o concurso público e, ainda que nenhum deles tenha contribuído para tanto, todos eles encontram-se em situação irregular perante a CF.
Francisco Belgo
O LEGISLATIVO MUNICIPAL E A NOVA POSTURA DO VEREADOR
Lendo uma edição do Jornal do Commercio desta semana, deparei-me com uma notícia que dá conta sobre uma comissão criada na Assembleia Legislativa do Rio com o objetivo de "enxugar" o emaranhado legislativo estadual fluminense, livrando-o dos excessos, das repetições, das inconstitucionalidades e das aberrações legislativas.
Afirma o deputado responsável pela comissão que muitos deputados apresentam projetos de lei sem o menor sentido, sob qualquer aspecto, pelo simples fato de que isso irá "somar" pontos ao seu desempenho legislativo.
Vejam só o absurdo!
Já há algum tempo, venho observando esse mesmo movimento em relação às Câmaras Municipais. Nesse sentido, acredito haver dois equívocos.
O primeiro deles, ocorre em função da ignorância e da desatualização de muitos legisladores municipais, que não percebem que a função legislativa municipal típica vem sendo rapidamente substituída por uma outra função típica do Legistativo municipal que é a de fiscalização dos atos do Executivo.
isso ocorre porque boa parte do arcabouço legislativo municipal necessário ao funcionamento dos municípios já existe e carece apenas de atualização permanente no tempo, já que as grandes questões da sociedade, em todas as áreas do conhecimento, ou são de competência da própria Constituição, ou tiveram a competência legislativa atribuída pela Constituição à lei federal.
Esse, por assim dizer, esvaziamento, deixou a cargo do município a competência para legislar, tão somente, sobre o seu peculiar interesse, conceito indeterminado, sobre o qual não vale a pena discorrer tecnicamente nesse espaço.
Por outro lado, a imprensa em geral, anda, também, muito mal informada sobre o tema e continua cobrando dos vereadores uma eficiência baseada ainda nesse mesmo critério, ou seja, bom vereador é aquele que apresenta muitos projetos de lei, sem se lembrar que é necessário analisar qual é o teor e a importância dos projetos apresentados.
É por isso que vemos costumeiramente em Juiz de Fora e em outras cidades uma verdadeira enxurrada de projetos de lei absolutamente inúteis, que vão desde a concessão indiscriminada de títulos de cidadania honorária, a nomes de rua e outros projetos que, ainda que aprovados, dificilmente serão regulamentados e/ ou colocados em prática.
Outro aspecto interessante é que poucos são os vereadores que se preocupam em cobrar a execução de seus projetos de lei ou mesmo os projetos de lei de seus pares na Câmara, o que demonstra que a aprovação de leis nos legislativos municipais, em muitos aspectos, tornou-se um fim em si mesmo.
Enquanto isso, os Executivos municipais continuam à solta e fragilmente fiscalizados pelas Câmaras, até porque, como se sabe, é da nossa tradição, infelizmente, compor a maioria na Câmara, "comprando a consciência do vereador " com cargos para seus apaniguados.
O resultado é o diálogo de surdos a que assistimos todos os dias, com os já conhecidos prejuízos para a sociedade como um todo.
Francisco Belgo
Afirma o deputado responsável pela comissão que muitos deputados apresentam projetos de lei sem o menor sentido, sob qualquer aspecto, pelo simples fato de que isso irá "somar" pontos ao seu desempenho legislativo.
Vejam só o absurdo!
Já há algum tempo, venho observando esse mesmo movimento em relação às Câmaras Municipais. Nesse sentido, acredito haver dois equívocos.
O primeiro deles, ocorre em função da ignorância e da desatualização de muitos legisladores municipais, que não percebem que a função legislativa municipal típica vem sendo rapidamente substituída por uma outra função típica do Legistativo municipal que é a de fiscalização dos atos do Executivo.
isso ocorre porque boa parte do arcabouço legislativo municipal necessário ao funcionamento dos municípios já existe e carece apenas de atualização permanente no tempo, já que as grandes questões da sociedade, em todas as áreas do conhecimento, ou são de competência da própria Constituição, ou tiveram a competência legislativa atribuída pela Constituição à lei federal.
Esse, por assim dizer, esvaziamento, deixou a cargo do município a competência para legislar, tão somente, sobre o seu peculiar interesse, conceito indeterminado, sobre o qual não vale a pena discorrer tecnicamente nesse espaço.
Por outro lado, a imprensa em geral, anda, também, muito mal informada sobre o tema e continua cobrando dos vereadores uma eficiência baseada ainda nesse mesmo critério, ou seja, bom vereador é aquele que apresenta muitos projetos de lei, sem se lembrar que é necessário analisar qual é o teor e a importância dos projetos apresentados.
É por isso que vemos costumeiramente em Juiz de Fora e em outras cidades uma verdadeira enxurrada de projetos de lei absolutamente inúteis, que vão desde a concessão indiscriminada de títulos de cidadania honorária, a nomes de rua e outros projetos que, ainda que aprovados, dificilmente serão regulamentados e/ ou colocados em prática.
Outro aspecto interessante é que poucos são os vereadores que se preocupam em cobrar a execução de seus projetos de lei ou mesmo os projetos de lei de seus pares na Câmara, o que demonstra que a aprovação de leis nos legislativos municipais, em muitos aspectos, tornou-se um fim em si mesmo.
Enquanto isso, os Executivos municipais continuam à solta e fragilmente fiscalizados pelas Câmaras, até porque, como se sabe, é da nossa tradição, infelizmente, compor a maioria na Câmara, "comprando a consciência do vereador " com cargos para seus apaniguados.
O resultado é o diálogo de surdos a que assistimos todos os dias, com os já conhecidos prejuízos para a sociedade como um todo.
Francisco Belgo
A IMPORTÂNCIA DA QUALIDADE EM TEMPOS DE CRISE
Nós brasileiros em geral e juizforanos em particular não estamos lá muito acostumados a eleger esse tema como importante em nossas vidas.
Nossa tendência é a de descansar eternamente no berço esplêndido da tão decantada fartura existente no Brasil.
O tempo vai passando e, tanto na vida privada como na vida pública, descuidamos da importância que devemos dar à correta utilização dos recursos empregados na consecução de atividades diárias de nossas vidas.
Em tempos de crise, todavia, esse desperdício que nos é tão peculiar, contribui para piorar a situação de nossas finanças pessoais e, na esfera pública, para perpetuar a péssima qualidade dos serviços públicos que nos são oferecidos.
Ando pela ruas de Juiz de Fora e fico intrigado com o modo pelo qual alguns órgãos públicos municipais, entre eles, Cesama, Demlurb e Empav, principalmente, treinam seus funcionários, utilizam seus equipamentos e executam suas tarefas.
É revoltante para dizer o mínimo e vergonhoso para não me alongar nas ofensas.
Já tive o ímpeto de fazer uma pesquisa para tentar constatar qual é a porcentagem de buracos na rua que se originaram de intervenções mal executadas pelo Cesama, isso porque, basta parar na rua e observar o trabalho deles.
A impressão que se tem é que os buracos são abertos sem a menor preocupação com a preservação do seu entorno. Os operadores destroem tudo em volta, seja árvore, meio-fio, canaleta, etc.
Acredito, pois não tenho certeza, que não há o menor planejamento para decidir como efetuar a incisão na malha asfáltica, como minimizar a intervenção e, muito menos, para escolher qual é melhor forma de consertá-la.
Feito o serviço, nossos valorosos, mas muito mal treinados servidores, vão se embora e deixam terra, lama e poeira para trás, até que, algum dia, alguém da Empav seja chamado a ir até lá e colocar aquele "murundu" "costela" ou qualquer outro nome que se queira dar àquela "coisa" que colocam por cima do buraco, isso se os próprios automóveis, chamados involuntariamente para trabalhar como rolo compressor, não desfizerem o serviço feito, obrigando a equipe a retornar ao mesmo local.
Fico imaginando o quanto economizaríamos se a Cesama treinasse e cobrasse melhor eficiência de seus funcionários nesse sentido e, ao mesmo tempo, desenvolvesse técnicas menos grotescas de intervenção na malha rodoviária urbana.
Quem sabe com isso, não sobrasse um pouco mais de dinheiro para conceder os reajustes salariais necessários aos servidores, bem como, para atender às demais necessidades da sociedade juizforana.
Para quem pensa que isso é idiossincrasia, é pensar pequeno, sugiro que vá a Suiça ou qualquer outro país desenvolvido, ou então, pesquise na internet, para descobrir como é que se tapa um buraco no primeiro mundo; posso adiantar que se trata de uma cirurgia no asfalto, que costuma não deixar nem a cicatriz do corte.
E isso ai, se queremos melhorar o país, temos que exigir mais e parar de nos contentarmos com serviços públicos de terceiro mundo, quando sabemos que a apropriação de riquezas pelo Estado é de primeiríssimo mundo.
Francisco Belgo
Nossa tendência é a de descansar eternamente no berço esplêndido da tão decantada fartura existente no Brasil.
O tempo vai passando e, tanto na vida privada como na vida pública, descuidamos da importância que devemos dar à correta utilização dos recursos empregados na consecução de atividades diárias de nossas vidas.
Em tempos de crise, todavia, esse desperdício que nos é tão peculiar, contribui para piorar a situação de nossas finanças pessoais e, na esfera pública, para perpetuar a péssima qualidade dos serviços públicos que nos são oferecidos.
Ando pela ruas de Juiz de Fora e fico intrigado com o modo pelo qual alguns órgãos públicos municipais, entre eles, Cesama, Demlurb e Empav, principalmente, treinam seus funcionários, utilizam seus equipamentos e executam suas tarefas.
É revoltante para dizer o mínimo e vergonhoso para não me alongar nas ofensas.
Já tive o ímpeto de fazer uma pesquisa para tentar constatar qual é a porcentagem de buracos na rua que se originaram de intervenções mal executadas pelo Cesama, isso porque, basta parar na rua e observar o trabalho deles.
A impressão que se tem é que os buracos são abertos sem a menor preocupação com a preservação do seu entorno. Os operadores destroem tudo em volta, seja árvore, meio-fio, canaleta, etc.
Acredito, pois não tenho certeza, que não há o menor planejamento para decidir como efetuar a incisão na malha asfáltica, como minimizar a intervenção e, muito menos, para escolher qual é melhor forma de consertá-la.
Feito o serviço, nossos valorosos, mas muito mal treinados servidores, vão se embora e deixam terra, lama e poeira para trás, até que, algum dia, alguém da Empav seja chamado a ir até lá e colocar aquele "murundu" "costela" ou qualquer outro nome que se queira dar àquela "coisa" que colocam por cima do buraco, isso se os próprios automóveis, chamados involuntariamente para trabalhar como rolo compressor, não desfizerem o serviço feito, obrigando a equipe a retornar ao mesmo local.
Fico imaginando o quanto economizaríamos se a Cesama treinasse e cobrasse melhor eficiência de seus funcionários nesse sentido e, ao mesmo tempo, desenvolvesse técnicas menos grotescas de intervenção na malha rodoviária urbana.
Quem sabe com isso, não sobrasse um pouco mais de dinheiro para conceder os reajustes salariais necessários aos servidores, bem como, para atender às demais necessidades da sociedade juizforana.
Para quem pensa que isso é idiossincrasia, é pensar pequeno, sugiro que vá a Suiça ou qualquer outro país desenvolvido, ou então, pesquise na internet, para descobrir como é que se tapa um buraco no primeiro mundo; posso adiantar que se trata de uma cirurgia no asfalto, que costuma não deixar nem a cicatriz do corte.
E isso ai, se queremos melhorar o país, temos que exigir mais e parar de nos contentarmos com serviços públicos de terceiro mundo, quando sabemos que a apropriação de riquezas pelo Estado é de primeiríssimo mundo.
Francisco Belgo
POLÊMICA NO STF
A sociedade brasileira assistiu entre assustada e surpresa a discussão áspera entre dois ministros do STF dias atrás.
Li e ponderei sobre alguns artigos e opiniões que foram publicados nos meios de comunicação sobre o assunto.
Os comentários em geral são parciais para um ou outro ministro. Há até quem torça para que a discussão acabe em exposição pública das supostas ideologias que um e outro ministro insere em cada voto e em cada discurso durante as sessões de julgamento.
Honestamente, a meu ver , ambos erraram, como já estão errando há bastante tempo, expondo em público divergências pessoais, idiossincrasias da toga, preferências ideológicas e outras peculiaridades.
Aproveitável mesmo, somente a frase do ministro Joaquim Barbosa, quando sugere ao presidente Gilmar Mendes que saia às ruas para estar com o povo. Pois é, considero essa uma sugestão que deve ser feita à grande maioria dos membros da magistratura nacional.
Um dos grandes problemas do Judiciário é a sua alienação em relação à realidade brasileira e isso tem a ver, na minha opinião,com o déficit de legitimidade da função judicial. Essa é uma tese antiga que sempre prefessei, a despeito de saber que ela é odiada pela maioria dos meus amigos magistrados.
Em suma, a falta de legitimidade da magistratura está calcada na forma com que os magistrados são escolhidos no Brasil. Perceba-se que não estou falando em legalidade, pois, é claro, que a forma de seleção tem fundamento da Constituição. Todavia, basta ler parágrafo único do art. 1o. da CF para saber que "todo poder emana do povo que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição".
Ora, no caso do Judiciário, optou o legislador constituinte pela seleção mediante concurso público ( art. 93 , I da CF ) e então, o magistrado deixou de ter o seu poder adquirido diretamente do povo, para obtê-lo através da nomeação, após a aprovação em concurso público.
Essa opção, que a meu ver, também, não é das piores, traz, por outro lado, como consequência, uma espécie de desoneração psicológica por parte dos magistrados de que o seu poder não se origina da vontade do povo, mas, de suas competências e habilidades, já que foram aprovados em concurso público.
Essa desoneração política da obrigação de prestar contas ao povo reflete na prática diária de muitos membros da magistratura que não dão satisfação a ninguém do que fazem ou deixam de fazer em termos estritamente administrativos, é mister que se diga.
Por outro lado, há uma grande responsabilidade da sociedade em geral e da mídia em particular por essa situação, já que centram sua atenção nos dois outros poderes do Estado e deixam o Judiciário em liberdade para responder aos reclamos da sociedade de acordo com sua própria conveniência.
Minha proposta e minha sugestão, já que não há condições políticas no momento, de se discutir a forma de investidura dos membros do Judiciário, é que a sociedade civil organizada passe a cobrar efetivamente do Judiciário uma resposta aos seus reclamos.
Reconheço e aplaudo a operosidade, a eficiência, a honestidade e o espírito público da grande maioria dos magistrados que conheço em muitas instâncias do Poder Judiciário, mas, não concordo com a absoluta falta de controle da sociedade sobre a atividade administrativa desse Poder.
A criação do CNJ foi um grande avanço nesse sentido e seus membros merecem o meu aplauso, igualmente o foi, a possibilidade da edição das súmulas vinculantes, mas acho que o povo brasileiro merece uma Justiça melhor do que a que possui, até porque, honestamente, paga muito caro por ela.
Francisco Belgo
Li e ponderei sobre alguns artigos e opiniões que foram publicados nos meios de comunicação sobre o assunto.
Os comentários em geral são parciais para um ou outro ministro. Há até quem torça para que a discussão acabe em exposição pública das supostas ideologias que um e outro ministro insere em cada voto e em cada discurso durante as sessões de julgamento.
Honestamente, a meu ver , ambos erraram, como já estão errando há bastante tempo, expondo em público divergências pessoais, idiossincrasias da toga, preferências ideológicas e outras peculiaridades.
Aproveitável mesmo, somente a frase do ministro Joaquim Barbosa, quando sugere ao presidente Gilmar Mendes que saia às ruas para estar com o povo. Pois é, considero essa uma sugestão que deve ser feita à grande maioria dos membros da magistratura nacional.
Um dos grandes problemas do Judiciário é a sua alienação em relação à realidade brasileira e isso tem a ver, na minha opinião,com o déficit de legitimidade da função judicial. Essa é uma tese antiga que sempre prefessei, a despeito de saber que ela é odiada pela maioria dos meus amigos magistrados.
Em suma, a falta de legitimidade da magistratura está calcada na forma com que os magistrados são escolhidos no Brasil. Perceba-se que não estou falando em legalidade, pois, é claro, que a forma de seleção tem fundamento da Constituição. Todavia, basta ler parágrafo único do art. 1o. da CF para saber que "todo poder emana do povo que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição".
Ora, no caso do Judiciário, optou o legislador constituinte pela seleção mediante concurso público ( art. 93 , I da CF ) e então, o magistrado deixou de ter o seu poder adquirido diretamente do povo, para obtê-lo através da nomeação, após a aprovação em concurso público.
Essa opção, que a meu ver, também, não é das piores, traz, por outro lado, como consequência, uma espécie de desoneração psicológica por parte dos magistrados de que o seu poder não se origina da vontade do povo, mas, de suas competências e habilidades, já que foram aprovados em concurso público.
Essa desoneração política da obrigação de prestar contas ao povo reflete na prática diária de muitos membros da magistratura que não dão satisfação a ninguém do que fazem ou deixam de fazer em termos estritamente administrativos, é mister que se diga.
Por outro lado, há uma grande responsabilidade da sociedade em geral e da mídia em particular por essa situação, já que centram sua atenção nos dois outros poderes do Estado e deixam o Judiciário em liberdade para responder aos reclamos da sociedade de acordo com sua própria conveniência.
Minha proposta e minha sugestão, já que não há condições políticas no momento, de se discutir a forma de investidura dos membros do Judiciário, é que a sociedade civil organizada passe a cobrar efetivamente do Judiciário uma resposta aos seus reclamos.
Reconheço e aplaudo a operosidade, a eficiência, a honestidade e o espírito público da grande maioria dos magistrados que conheço em muitas instâncias do Poder Judiciário, mas, não concordo com a absoluta falta de controle da sociedade sobre a atividade administrativa desse Poder.
A criação do CNJ foi um grande avanço nesse sentido e seus membros merecem o meu aplauso, igualmente o foi, a possibilidade da edição das súmulas vinculantes, mas acho que o povo brasileiro merece uma Justiça melhor do que a que possui, até porque, honestamente, paga muito caro por ela.
Francisco Belgo
MENSAGEM INICIAL
Aos que me derem a honra da visita ao meu espaço na internet, quero, antes de mais nada, agradecer e dizer que, como todo neófito, sinto-me um tanto quanto devassado com essa iniciativa. Sim, porque é mais fácil ler a respeito e ouvir falar sobre a exposição que esse meio de comunicação proporciona, do que nele se inserir e participar.
Por outro lado, como já utilizo há bastante tempo ferramentas como o email e o Skype, sinto que chegou o momento de aprender um pouco mais sobre os riscos e as possibilidades que a participação em um blog proporciona.
Minha expectativa é que eu possa trocar opiniões com os amigos, os amigos dos amigos, conhecidos e desconhecidos, sobre temas relacionados aos assuntos de meu interesse.
É estranho, mas a sensação que tenho é que ao me comunicar com o "mundo" através do blog, falo para todos sem falar especificamente para ninguém. Isso é bem diferente do que eu estou acostumado a fazer no meu dia-a-dia.
Bem, como o espaço da internet é democrático, pretendo dizer o que penso e ler todas as opiniões favoráveis ou contrárias às minhas, sem maiores problemas, pois, considero o debate educado, mesmo que divergente, como a melhor forma de consolidar o que já pensamos ou refletir sobre a opinião do outro. E já fazendo uso da sinceridade, só não tolero os radicais, os semi-deuses, os salvadores da pátria, fazedores de milagres e os demais membros da fauna humana que se consideram superiores aos demais mortais.
No mais, em tempos de convergência ideológica, como diria Miguel Reale, todos são bem-vindos, os de esquerda e os direita ( se é que isso ainda existe ) para que, quem sabe, consigamos encontrar uma opinião de consenso entre nossos argumentos.
Sejam bem-vindos e obrigado pela visita. Envie-me o seu endereço e eu responderei ao seu comentário.
Francisco Belgo
Por outro lado, como já utilizo há bastante tempo ferramentas como o email e o Skype, sinto que chegou o momento de aprender um pouco mais sobre os riscos e as possibilidades que a participação em um blog proporciona.
Minha expectativa é que eu possa trocar opiniões com os amigos, os amigos dos amigos, conhecidos e desconhecidos, sobre temas relacionados aos assuntos de meu interesse.
É estranho, mas a sensação que tenho é que ao me comunicar com o "mundo" através do blog, falo para todos sem falar especificamente para ninguém. Isso é bem diferente do que eu estou acostumado a fazer no meu dia-a-dia.
Bem, como o espaço da internet é democrático, pretendo dizer o que penso e ler todas as opiniões favoráveis ou contrárias às minhas, sem maiores problemas, pois, considero o debate educado, mesmo que divergente, como a melhor forma de consolidar o que já pensamos ou refletir sobre a opinião do outro. E já fazendo uso da sinceridade, só não tolero os radicais, os semi-deuses, os salvadores da pátria, fazedores de milagres e os demais membros da fauna humana que se consideram superiores aos demais mortais.
No mais, em tempos de convergência ideológica, como diria Miguel Reale, todos são bem-vindos, os de esquerda e os direita ( se é que isso ainda existe ) para que, quem sabe, consigamos encontrar uma opinião de consenso entre nossos argumentos.
Sejam bem-vindos e obrigado pela visita. Envie-me o seu endereço e eu responderei ao seu comentário.
Francisco Belgo
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